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Terra Indígena Guarani Tenonde Porã

A aldeia Tenonde Porã, que já foi denominada “Vila Guarani” e “Morro da Saudade” nos anos 70 e 80, está situada no município de São Paulo, com grande parte da área indígena às margens da represa Billings. A comunidade Guarani Mbya possui apenas cerca de 30 hectares, demarcados e homologados em 1987, quando o numero de famílias (em torno de 60) era muito inferior ao atual: 170 famílias com cerca de 900 pessoas. Com o crescimento acelerado e desordenado da região e também com mais famílias Guarani, a terra indígena se encontra em processo de ampliação. O maior número de núcleos familiares que moram atualmente na aldeia aumenta as dificuldades referentes às práticas tradicionais, tais como a falta de áreas para plantio, caça, pesca e construções de casas típicas. Contudo, a população desde longa data, mesmo após os primeiros contatos com a sociedade do entorno, vem se assegurando como um povo com conhecimentos milenares, passando por gerações através da oralidade dos mais velhos. É fato que todos na aldeia mantêm a sua língua materna, e inclusive existem pessoas que não se comunicam na língua portuguesa.

Anualmente a comunidade realiza rituais de consagrações para os nomes Guaranis, para Erva Mate e Milho na “Opy”, lugar sagrado e onde todas as tardes as pessoas se reúnem para cantar, dançar e assim, interagindo uns com os outros, se fortalecerem espiritualmente. Periodicamente acontecem reuniões gerais, “Nhemboaty Guaxu”, quando são compartilhados os problemas internos para que as lideranças e comunidade reflitam coletivamente para buscar a solução. Nos últimos dez anos a comunidade foi beneficiada com a implantação do CECI – Centro de Educação Indígena (municipal), para crianças até 5 anos, dando ênfase a cultura Guarani nas suas atividades; a Escola Estadual Indígena Guarani Gwyra Pepó, do ensino fundamental até o médio com docentes Guarani e não-guarani; o Posto de Saúde “Vera Poty”, mantido pela FUNASA – Fundação Nacional de Saúde, com funcionários Guaranis e equipe médica não-guarani. Nesses espaços, Escola, Posto de Saúde e CECI existem uma pequena parte de pessoas da comunidade empregada com salário mensal, mas a maioria não compartilha da mesma realidade e tentam sobreviver com a venda de artesanato. Não obstante, as pessoas da aldeia vêm lutando para sobreviver e dar continuidade sabedoria de seus antepassados que também lutaram bravamente por suas vidas e por sua cultura.
Fonte: Refazenda

 
 
 
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