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Ilhas Galápagos têm dez anos para serem salvas de desastre ecológico

Estudos feitos pela Fundação Charles Darwin apontam que as ilhas Galápagos, no Equador, têm somente dez anos para serem salvas. Segundo o diretor da fundação, Gabriel Lopez, se o turismo na região não for contido, as ilhas sofrerão danos irreversíveis.

Galápagos é um famoso arquipélago, por abrigar tesouros naturais únicos no mundo e também por ser a base de Darwin em sua teoria da evolução.

"Boom"

Durante o ano de 2008, o número de turistas atingiu o recorde de 173 mil visitantes – quatro vezes mais do que há 20 anos. O que originou esse aumento foi a construções de hotéis, importação de suprimentos do território continental do Equador, crescimento de espécies de animais “diferentes” em um ecossistema frágil – em 1900 havia 112 espécies registradas, em 2007 o total chegava a 1.321.

"O arquipélago ainda é o mais preservado do mundo", reconheceu Lopez. "Mas se essa tendência continuar, a riqueza das ilhas vai ser perdida."

Insetos
O aeroporto da Ilha de Baltra, é o único no arquipélago, comporta em média seis voos por dia, dobro do que comportava há oito anos. Todos os aviões são pulverizados com inseticidas antes de aterrissar, mas alguns insetos sobrevivem. Um deles é a formiga-lava-pé, que ataca filhotes de aves e tartarugas.

Outra ameaça é a mosca parasita, que ataca pintassilgos e mosquitos – que por sua vez podem acabar servindo como vetores de doenças conhecidas no continente, mas não chegou às ilhas.

Governo

Em 2007 a UNESCO classificou Galapagos como patrimônio mundial em perigo, e criticou o governo do Equador pelo plano de ação para conter os problemas. Agora as autoridades estão introduzindo medidas mais rigorosas.

Edgar Muñóz, diretor do Parque Nacional de Galápagos, reconhece que espécies invasoras são as principais ameaças às ilhas, e disse que as ações do governo irão resolver as ameaças. “Esperamos que os problemas diminuam no espaço de 50 anos", disse.

O governo já adotou algumas medidas bem-sucedidas, tais como sacrifício de bodes que comiam as plantas, que também serviam de alimentos para as tartarugas gigantes. Porém, especialistas acreditam que a eliminação de insetos seja bem mais difícil. O arquipélago é uma ótima fonte de renda para o Equador, mas é necessário achar o equilíbrio para a preservação das ilhas, o que as fazem ser tão especiais.
Natália Souza/Pick-upau
Da Folha